Após Hong Kong, Holanda e Bélgica registram possíveis reinfecções

Cientistas da Holanda e da Bélgica afirmam que mais dois pacientes, um em cada país, foram reinfectados pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2). O relato dos dois casos europeus acontece um dia depois que cientistas de Hong Kong confirmaram o primeiro caso de reinfecção.

O paciente holandês era um idoso com sistema imunológico enfraquecido, afirmou a virologista holandesa Marion Koopmans, segundo a emissora NOS. O governo holandês ainda não se pronunciou sobre o caso. “Que alguém apareça com uma reinfecção não me deixa nervosa. Temos que ver se isso acontece com frequência”, declarou Marion Koopmans, de acordo com a emissora alemã Deutsche Welle.

Para determinar a frequência das reinfecções, diz a virologista, é necessário acompanhar os pacientes ao longo do tempo. “Todas as infecções por Sars-CoV-2 têm uma impressão digital diferente, um código genético”, explicou Koopmans à NOS. “As pessoas podem carregar alguma coisa consigo por muito tempo após uma infecção, e ocasionalmente secretar um pouco de RNA [material de que o código genético do novo coroanvírus é feito]”, disse.

Para que uma recontaminação seja confirmada, é preciso provar que o código genético do primeiro vírus é diferente do segundo. Isso foi feito no caso de Hong Kong, e, segundo a emissora NOS, também parece ser o caso da Holanda.

Koopmans lembra que infecções das vias respiratórias, como a Covid-19, podem ocorrer duas ou mais vezes, e elas induzem uma resposta imune clara: a questão, agora, é saber quanto tempo essa imunidade dura em média, avalia a virologista.

Pacientes com sintomas mais graves desenvolvem, com frequência, mais anticorpos que aqueles com sintomas leves, segundo ela. “Só porque você desenvolveu anticorpos não significa que está imune”, alertou a virologista em entrevista à emissora NOS.

Caso Belga
Na Bélgica, a paciente é uma mulher que se infectou pela primeira vez em março e pela segunda vez em junho. A emissora NOS afirmou que a paciente belga apresentou apenas sintomas leves.

Segundo o virologista Marc Van Ranst, o código genético do vírus foi identificado em ambas as infecções. “Existem, de fato, diferenças suficientes para se poder falar de outra infecção”, disse.

“Acho que nos próximos dias veremos outras histórias semelhantes. Essas podem ser exceções, mas existem e não são apenas uma. Não é uma boa notícia”, completou Van Ranst.

O virologista explicou à emissora holandesa, ao comentar o caso belga, que os anticorpos que a paciente desenvolveu na primeira infecção não eram fortes o suficiente para evitar uma nova contaminação, por uma variante ligeiramente diferente, do novo coronavírus.

Segundo Van Ranst, é possível que as pessoas que contraem o vírus sejam simplesmente mais suscetíveis ao vírus. “Talvez haja muito mais pessoas que, depois de seis ou sete meses, possam ter uma reinfecção”, afirmou.

Por G1

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